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quarta-feira , 9 de novembro de 2016
Lake Tahoe: Um pé em cada estado

Por: Brena Lacerda

O Lake Tahoe foi um dos meus destinos preferidos nos Estados Unidos. Foi a segunda parada da minha roadtrip na Califórnia (a primeira foi São Francisco). Imaginem um lago enorme, nas montanhas da Serra Nevada a 2000 metro de altitude, com pinheiros altíssimos, cobertos de neve e casas feitas de toras de madeira. Tudo naquele lugar parece ter saído de um comercial de Natal da Coca-cola. É incrível!

Saímos cedo de São Francisco e, em pouco mais de três horas, chegávamos à montanha. Dirigir em direção ao lago fica mais assustador a cada curva. O caminho até a cidade de South Lake Tahoe, onde ficaríamos hospedadas, é lindo, mas extremamente perigoso, em certos trechos, para motoristas inexperientes como a Amanda e eu. Fomos na fé, devagar e com muita atenção. Em certo ponto da estrada, tudo o que podíamos ver à nossa direita era branco. Era um precipício, isso estava claro pela quantidade de neblina, mas, não poder ver nada nos apavorou bastante. Todos os outros motoristas, no entanto, pareciam compartilhar da nossa cautela, então foi tranquilo manter a marcha lenta, sem ter gente buzinando atrás ou tentando ultrapassar. Até porque a estrada era tão estreita, que ultrapassagem seria impossível sem causar um acidente.

Quando, finalmente chegamos ao hotel, fomos instruídas a instalar correntes nas rodas dianteiras do carro para dirigirmos na neve sem preocupação. Mas, como a previsão do tempo dizia que não nevaria mais naquele fim de semana, decidimos economizar os 100 dólares e rezar para não nevar. No dia em que chegamos, ficamos apenas na área do hotel, onde os turistas geralmente ficam, quando visitam a região. A cidade é do tamanho de um bairro pequeno na minha cidade aqui no Brasil. Tem um centrinho, onde você pode jantar, comprar roupas de inverno, um posto de gasolina, um McDonalds, não muitas opções. Mesmo assim, encontramos uma Dollar Tree (rede de lojas onde tudo custa apenas um dólar) para comprar alguns snacks para economizar. Naquela noite, jantamos em uma pizzaria maravilhosa bem perto do hotel. O lugar estava lotado, já que era um dos poucos abertos naquele dia. O clima de cidade pequena, onde todos se conhecem, era evidente. As pessoas encaravam a gente, como se fossemos mesmo novidade - o que é engraçado, já que a área recebe tantos turistas durante todo o ano.

Na manhã seguinte, tomamos café no hotel e decidimos que daríamos a volta no lago, o que, sem paradas, dá mais ou menos, 5 horas de viagem. Snacks no banco de trás, câmeras a postos, seguimos montanha acima, parando em mirantes e pequenas praias sempre que possível. Era tudo encantador e de tirar o fôlego (literalmente, já que é possível sentir claramente como o ar se torna mais escasso lá em cima). Às vezes, eu precisava parar para respirar e agradecer ao Universo por tamanha beleza e pela oportunidade de estar ali. Eu nunca tinha pisado em uma montanha de verdade, e eu não fazia ideia de que eu me sentiria tão cheia de paz e gratidão.

Que mundo maravilhoso é esse, não é? Quanta coisa linda para ser vista, admirada, contemplada e protegida! Eu queria ter podido parar por horas em certos pontos, simplesmente para contemplar a paz do vento congelante no meu rosto, enquanto eu pisava na areia, com aquela majestosa montanha às minhas costas. A sensação era de reverência a qualquer divindade ou força responsável pela existência de um lugar tão perfeito. Eu queria ter sabido a quem agradecer. Mas, na falta de um destinatário, simplesmente fechei meus olhos em uma oração baixinha e agradeci, a quem quer que estivesse ouvindo.

A Amanda e eu seguimos pela montanha, dando a volta no Lake Tahoe por horas. Quando faltava, aproximadamente, meia hora para terminarmos a volta e chegarmos ao hotel, percebemos que a estrada já não estava tão limpa. Havia nevado ali poucas horas antes. Fomos ultrapassadas por alguns guinchos e tratores e começamos a ficar apreensivas. Foi então que vimos um sinal luminoso na estrada, mandando os motoristas sintonizarem o rádio em uma estação específica. A mensagem tocava repetidamente “Estrada fechada devido a avalanche. Retornar. Não há passagem. Retornar”. Quando, finalmente, entendemos que não podíamos ir adiante, já havia começado a nevar bastante no local onde estávamos. Sabíamos que não conseguiríamos ir muito mais longe naquela situação, mas não víamos nem um retorno por perto. Encontramos, enfim, uma estradinha nos levou morro abaixo. O chão estava coberto de neve espessa, e o nosso carro não tinha as benditas correntes nas rodas dianteiras. Depois de derrapar um pouco subindo de volta o morro, conseguimos voltar para a estrada, pelo caminho pelo qual tínhamos vindo.

Exaustas e com frio, chegamos de volta a South Lake Tahoe pouco antes de escurecer. Acho que dormimos por umas 10 horas direto. E, na manhã seguinte, partimos montanha abaixo, de volta para a costa, em direção à Highway 1 – Big Sur. O caminho de volta até deixarmos àquelas terras geladas foi bem mais tranquilo do que a ida. No fim da história, deu tudo certo e, apesar do cansaço, estávamos felizes por viver uma aventura e testemunhar o quão maravilhoso esse mundo é.

Como chegar a Lake Tahoe? Do aeroporto de Reno a sugestão é seguir pela recém-inaugurada Interstate I-580, uma estrada construída com técnicas de anticongelamento, com duração de aproximadamente 45 minutos. Do aeroporto de San Francisco são três horas de estrada; da região de Sacramento são duas horas. Vindo do estado da Califórnia o risco de congelamento e o fechamento das estradas são maiores, é sempre importante se informar das condições das estradas no inverno antes de seguir por estas rotas.

Estação Heavenly: A estação de esqui Heavenly é uma das mais visitadas dos Estados Unidos, com mais de 20 lifts e 65 pistas para os praticantes de esqui e snowboard. Os graus de dificuldades são os mais variáveis, desde o iniciante aos mais avançados. Uma das atrações das pistas da região são as opções de descer para estados diferentes: você pode ir para o lado de Nevada ou Califórnia. Um das facilidades da área é a proximidade da gôndola, o bondinho de acesso ao topo da montanha. A gôndola é uma das grandes atrações da região: percorre 4 km subindo desde o nível do lago até a base da estação de esqui, no alto da montanha. O visual durante esta subida é de cair o queixo.

 
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